Documento 105 segue atual e desafia cristãos leigos e leigas a fortalecerem seu protagonismo na Igreja e na sociedade

GOIÂNIA (GO) – A 44ª Assembleia Geral do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) teve início nesta sexta-feira (5), em Goiânia (GO), reunindo cristãos leigos e leigas de todas as regiões do país para refletir sobre os desafios da Igreja e da sociedade brasileira, fortalecer articulações e renovar o compromisso com a missão evangelizadora. O encontro segue até domingo (7), no Centro Pastoral Dom Fernando.

Dentro da programação da Assembleia, a manhã desta quinta-feira foi dedicada à celebração dos dez anos do Documento 105 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade: sal da terra e luz do mundo. O momento buscou revisitar a memória de sua elaboração, refletir sobre seus principais legados e reafirmar sua atualidade diante dos desafios da evangelização e da transformação social.

A reflexão foi mediada por Márcio José, presidente do CNLB. A mesa contou com a participação de Dom Giovane Pereira de Melo, presidente da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB; de Laudelino Augusto dos Santos Azevedo, ex-presidente do CNLB e integrante do grupo responsável pela redação do Documento 105; e de Marlise Ritter, vice-presidente do CNLB.

Ao abrir a atividade, Marlise destacou a importância histórica do documento para a caminhada do laicato brasileiro.

“Celebrar os dez anos do Documento 105 é reconhecer um marco importante na trajetória do laicato. Homens e mulheres movidos pela fé encontraram nesse documento uma referência para compreender sua vocação e missão na Igreja e na sociedade”, afirmou.

Segundo ela, o texto continua iluminando a atuação dos cristãos leigos e leigas diante dos desafios contemporâneos.

“O Documento 105 tem sido uma verdadeira luz para a vocação laical, ajudando-nos a compreender que somos uma Igreja em saída, discípulas e discípulos missionários, chamados a ser sal da terra e luz do mundo. Sua mensagem permanece atual e necessária em um mundo marcado por profundas mudanças e desafios”, ressaltou.

Um documento ainda necessário

Ao refletir sobre a atualidade do Documento 105, Dom Giovane afirmou que o texto permanece plenamente válido para a realidade da Igreja no Brasil.

Segundo o bispo, temas como o enfrentamento do clericalismo, a promoção da sinodalidade, a corresponsabilidade dos fiéis, a formação integral e a presença transformadora dos cristãos leigos e leigas na sociedade continuam sendo desafios centrais.

Dom Giovane ressaltou que a renovação da Igreja passa pelo reconhecimento dos cristãos leigos e leigas como sujeitos da evangelização e protagonistas da missão recebida no batismo.

Os legados do Documento 105

Em sua exposição, Laudelino Augusto dos Santos Azevedo destacou que um dos principais méritos do Documento 105 foi consolidar a compreensão dos cristãos leigos e leigas como sujeitos eclesiais e reforçar sua missão específica no mundo.

Para ele, o documento reafirma que a Igreja está inserida na realidade humana e é chamada a colaborar com a construção do Reino de Deus.

“O laicato é a Igreja presente no mundo”, afirmou.

Laudelino também recordou que o documento fortaleceu a organização do laicato brasileiro, valorizou a autonomia dos cristãos leigos e leigas em comunhão com a Igreja e incentivou processos de participação e corresponsabilidade que hoje dialogam diretamente com a proposta de sinodalidade promovida pela Igreja.

Compromisso com a transformação da sociedade

Outro ponto destacado foi o compromisso sociopolítico dos cristãos leigos e leigas. Segundo Laudelino, o Documento 105 reconhece a participação em movimentos sociais, associações, sindicatos, partidos políticos e conselhos de políticas públicas como parte da missão evangelizadora.

Para ele, a construção do Reino de Deus exige presença ativa nos espaços onde se definem os rumos da sociedade, sempre à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja.

Ao celebrar os dez anos do Documento 105, os participantes da Assembleia reafirmaram a importância de aprofundar seu estudo e sua implementação nas dioceses, paróquias, comunidades e organizações do laicato, fortalecendo uma Igreja cada vez mais sinodal, missionária, profética e servidora.

Homenagem a Dom Giovane marca encerramento da reflexão sobre o Documento 105

Ao final da mesa, os participantes da 44ª Assembleia Geral do CNLB prestaram uma homenagem a Dom Giovane Pereira de Melo, presidente da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB, em reconhecimento à sua dedicação ao laicato brasileiro.

Em nome dos cristãos leigos e leigas, a ex-presidente do CNLB, Sônia Gomes, destacou a postura de diálogo, confiança e apoio de Dom Giovane ao protagonismo laical, recordando especialmente sua atuação durante a construção do Pacto pela Vida e pelo Brasil.

“Dom Giovane sempre nos dizia para seguir em frente e construir aquilo que acreditávamos ser necessário. Ele deu autonomia para que caminhássemos, dialogássemos e construíssemos coletivamente. Foram muitas conversas, muitas noites de trabalho, mas conseguimos avançar porque tínhamos ao nosso lado um companheiro de caminhada”, afirmou.

Como gesto de gratidão, a Assembleia entregou ao bispo um presente simbólico assinado pelos participantes.