Wolmir Amado, ex-presidente do CNLB, destaca centralidade dos pobres na missão da Igreja

A reflexão sobre o amor aos pobres e o compromisso dos cristãos leigos e leigas com a transformação da sociedade marcou a programação da 44ª Assembleia Geral do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), realizada em Goiânia (GO). A assessoria foi conduzida por Wolmir Amado, professor, ex-reitor da PUC Goiás e presidente do CNLB (1998–2004) , que apresentou uma leitura das exortações apostólicas Dilexit Nos (“Ele nos amou”), do Papa Francisco, e Dilexit Te (“Eu te amo”), promulgada pelo Papa Leão XIV.

Ao iniciar sua exposição, Wolmir Amado recordou sua trajetória no CNLB e destacou a importância da experiência construída junto aos cristãos leigos e leigas para sua formação humana, espiritual e pastoral. Em tom emocionado, lembrou seu retorno a uma Assembleia Geral após mais de duas décadas e ressaltou que a vivência no laicato foi uma verdadeira escola de liderança e espiritualidade, experiência que levou consigo para os diversos espaços acadêmicos e institucionais em que atuou ao longo da vida.

Partindo dos documentos papais, o assessor ressaltou que o amor de Deus se manifesta concretamente no encontro com os pobres. Segundo ele, as duas exortações estão profundamente conectadas. Enquanto Dilexit Nos convida os cristãos a redescobrirem o amor de Cristo e a centralidade do coração na experiência de fé, Dilexit Te mostra que esse amor se realiza na proximidade com aqueles que vivem diferentes situações de vulnerabilidade.

“Os pobres são a continuidade de Cristo no meio de nós”, afirmou Wolmir Amado ao comentar uma das ideias centrais da exortação de Leão XIV. A partir de passagens bíblicas, ele explicou que o documento reafirma que tudo o que é feito aos mais pobres é feito ao próprio Cristo, reforçando uma convicção presente desde as origens da tradição cristã.

Durante a assessoria, o professor chamou atenção para a necessidade de compreender a pobreza em suas múltiplas dimensões. Além da falta de recursos materiais, destacou que o documento reconhece outras formas de empobrecimento, relacionadas à exclusão social, à falta de acesso à educação, à cultura, aos direitos, à participação comunitária e até mesmo à vivência da fé.

Wolmir Amado também apresentou o percurso histórico da presença da Igreja junto aos mais vulneráveis, recordando iniciativas desenvolvidas ao longo dos séculos em favor dos enfermos, encarcerados, escravizados, migrantes e pessoas privadas do acesso à educação. Para ele, essa tradição demonstra que o cuidado com os pobres não é uma atividade secundária da Igreja, mas parte essencial de sua identidade e missão.

Ao abordar a Doutrina Social da Igreja, o assessor destacou a contribuição decisiva dos cristãos leigos e leigas para a construção desse patrimônio eclesial. Segundo ele, a reflexão social da Igreja foi profundamente enriquecida pela presença de homens e mulheres comprometidos com os desafios de seu tempo, atuando nas periferias, nos movimentos populares, no mundo do trabalho e em diferentes espaços da vida pública.

Nesse contexto, Wolmir Amado ressaltou que os pobres não devem ser vistos apenas como destinatários da ação pastoral, mas como sujeitos capazes de oferecer à Igreja uma sabedoria própria. Citando a exortação, afirmou que “a realidade se vê melhor a partir das periferias” e que a experiência dos pobres ajuda a compreender de forma mais profunda os desafios contemporâneos da humanidade.

A reflexão também abordou a necessidade de superar preconceitos e visões simplificadoras sobre a pobreza. Para o assessor, o Evangelho desafia os cristãos a reconhecerem a dignidade de cada pessoa e a construírem relações marcadas pela solidariedade, pela justiça e pelo cuidado mútuo, combatendo a cultura da indiferença e do descarte denunciada pelos papas Francisco e Leão XIV.

Ao concluir sua fala, Wolmir Amado reforçou que o amor aos pobres permanece como um desafio permanente para toda a Igreja. Inspirado pelas palavras da exortação Dilexit Te, afirmou que os pobres ocupam um lugar central na vida cristã e que a missão dos cristãos leigos e leigas passa pelo compromisso concreto com a dignidade humana, a promoção da justiça social e a construção de uma sociedade mais fraterna e solidária.

A assessoria integrou a programação formativa da 44ª Assembleia Geral do CNLB, que reúne em Goiânia representantes dos Conselhos de Leigos e Leigas de todo o país para refletir sobre a missão do laicato na Igreja e na sociedade brasileira.