“A Política é a mais nobre das ações e a forma mais perfeita de caridade”– seria tão bom se certas definições ultrapassassem os limites da teoria e se tornassem realidade concreta. Infelizmente, o que temos percebido é a constante distorção do termo, uma espécie de anomalia quase genética ou cromossômica que vem passando de geração em geração, cujo sintoma mais marcante é a corrupção em suas diversas facetas.
Por Cesar Augusto Rocha

Nas pequenas cidades interioranas, certos sintomas dessa dita politicagem se agravam ainda mais. A grosso modo, poderíamos dizer que o legislativo não legisla – prevarica, o executivo não executa e o povo, mesmo sofrendo as agruras do descaso, não exige seus direitos e finge que está tudo bem. Esse é o nosso retrato político! Geralmente, quando um prefeito/a é eleito, cumpre-se o velho itinerário:
– Desfaz todo o projeto político do antecessor;
– Utiliza dos recursos públicos para cobrir as despesas da última campanha eleitoral;
– Investe na tradicional filosofia do PÃO E CIRCO, isto é, promove eventos e festas para anestesiar as consciências e acalmar os insatisfeitos;
Estamos vivendo o ano que antecede mais um período eleitoral. Já se percebe claramente algo diferente no ar, uma pequena efervescência que aos poucos vai se espalhando no meio do povo. Nessa primeira fase, começam as especulações e a formação de alianças que podem ser determinantes no pleito que virá. A tradicional “compra e venda de votos”, prática corriqueira em todos os rincões do país, grassa impunemente em todas as esferas sociais e políticas, expondo friamente as feridas abertas de nossa democracia. A reforma política tão comentada e desejada pelos brasileiros não deve provocar mudanças estruturais apenas no topo da pirâmide social e política, mas na vida cotidiana de cada brasileiro e brasileira. É, sobretudo, a mentalidade de cada dia e de cada um que precisa ser reformada e repensada se quisermos construir um novo paradigma civilizacional para esse país.
Com raras exceções, vê-se que não há mais bandeiras ideológicas, fidelidades partidárias e compromisso com as minorias sociais. O voto de cabresto, os currais eleitorais e a boa mentira disfarçada de promessa continuam sendo uma triste realidade em nossas cidades. Resumidamente, ESTAMOS VIVENDO UMA CRISE DE BOAS REFERÊNCIAS NA POLÍTICA BRASILEIRA. Quando os “bons cidadãos” não querem mais se envolver neste terreno minado e não acreditam mais nas velhas “topias”, os mal intencionados ocupam seus lugares.
O que será de nós?! Ainda há tempo para as mudanças que queremos…
César Rocha – bacharel em Serviço Social, graduando em Filosofia e presidente do CNLB – NE I