Andar de metrô no Rio de Janeiro não é uma das tarefas mais fáceis. Em horários de pico, os vagões ficam abarrotados e a viagem torna-se ainda mais cansativa. Esse é o espaço de trabalho de muitos músicos, atores e palhaços que se apresentam nas composições com o objetivo de levar arte aos passageiros e tornar a viagem mais curta. Mas nem tudo são flores.
Por: André Vieira / Foto: Stefano Figalo
O principal obstáculo para levar arte às pessoas é o próprio metrô. Não é difícil ouvir relatos de artistas que contam que foram expulsos das estações de forma violenta pelos seguranças da empresa. Um caso ganhou atenção recentemente. No dia 5 de novembro deste ano, enquanto faziam a última viagem em direção a suas casas, por volta de 23h30, três músicos ligados ao Coletivo AME (Artistas Metroviários) encontraram cinco seguranças da empresa MetrôRio/Invepar. Segundo os artistas, os seguranças os obrigaram a parar de tocar e a descer na estação Central do Brasil. Os músicos denunciam que chegando à estação, foram agredidos pelos funcionários do metrô.
“Não existe nenhuma lei que nos proíba de fazer apresentações artísticas. Nós falamos isso para os seguranças, mas mesmo assim eles nos retiraram do vagão”, conta Yuri Genuncio, integrante do Coletivo AME. “Começamos a falar que não iríamos descer, porque eles não tinham o direito. Eu estava apenas gravando, mas eles foram muito agressivos conosco e nos obrigaram a sair”, denuncia Thiago Dagotta, integrante do coletivo que registrou em seu celular toda a agressão.
Violência fora da estação
Mesmo sendo expulsos dos vagões, os músicos denunciam que as agressões por parte dos seguranças seguiram, com a participação do chefe de segurança da empresa, identificado como Guimarães. “Além de estar correndo para não apanhar dos seguranças, eu ainda via meus amigos sendo espancados pelos seguranças. Eram uns 13 ou 14 seguranças. Quem estava me mobilizando era o Guimarães, o chefe de segurança”, lembra Thiago.
Não é proibido
Fazer apresentações dentro dos vagões não é proibido. Um projeto em tramitação na Alerj, de autoria do deputado André Ceciliano (PT), pretende regulamentar essa atividade. Por sua parte, os artistas cobram participar da construção da lei. “Queremos construir um Projeto de Lei que contemple todos. Queremos participar dessa construção, debater com todos os envolvidos. O Projeto de Lei não pode ser aplicado de cima para baixo”, reivindica Léo Gonzaga, também integrante do Coletivo AME.
Processo judicial
Os artistas agredidos afirmaram que vão entrar na justiça contra a MetrôRio devido à agressão. O caso é investigado pela 4ª DP, da Praça da Bandeira. Segundo a assessoria da Polícia Civil, “as imagens de câmeras de segurança foram analisadas e os seguranças irão prestar depoimento. Agentes estão em diligências na busca de informações que possam ajudar no caso”.
Já o MetrôRio afirmou que “amparados pela Lei 6.149/74 e Decreto Estadual 2.522/79, o Corpo de Segurança da Concessionária está autorizado a agir sempre que o comportamento de algum usuário comprometa a segurança dos demais passageiros, perturbe a ordem ou comprometa a operação”. Sobre a apuração de algum excesso de força, a empresa não comentou.
