Goiânia (GO) – Os participantes da 44ª Assembleia Geral do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) vivenciaram, na tarde desta sexta-feira (5), uma experiência de Conversação no Espírito, metodologia adotada durante o processo sinodal da Igreja Católica e que busca promover a escuta, o discernimento comunitário e a construção coletiva de caminhos para a missão. A atividade foi conduzida por Cristina Moreira, integrante do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), e por Sônia Gomes de Oliveira, secretária-executiva da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP).
Ao iniciar a oficina, Sônia Gomes destacou a alegria de compartilhar o momento com Cristina Moreira, com quem participou da Assembleia Sinodal em Roma. Segundo ela, a experiência permitiu que mulheres brasileiras contribuíssem para os debates da Igreja universal a partir da realidade vivida nos territórios e nas comunidades.
“A gente conseguiu dar a nossa contribuição enquanto mulheres brasileiras, com o olhar do Brasil e com o olhar desta Igreja. Foi uma experiência muito gratificante”, afirmou.
Cristina recordou que a metodologia da Conversação no Espírito foi um dos pilares do processo sinodal e ressaltou que seu principal objetivo não é vencer argumentos, mas escutar o que Deus comunica por meio das experiências e reflexões das pessoas reunidas.
“O maior desafio para escutar a voz do Espírito Santo não é a falta de ideias, mas o excesso de palavras. O objetivo não é vencer um argumento, mas compreender o que Deus está nos dizendo”, explicou.
Durante a apresentação, Cristina detalhou as etapas da metodologia, que incluem oração, reflexão pessoal, partilha, escuta, ressonância, construção coletiva de consensos e discernimento comunitário. Segundo ela, o método favorece a participação de todas as pessoas e ajuda grupos e comunidades a tomarem decisões em comunhão.
A reflexão proposta aos participantes teve como base o eixo temático dedicado à ação profética e sociotransformadora do laicato. A partir da parábola do Bom Samaritano, Sônia Gomes convidou os cristãos leigos e leigas a refletirem sobre sua vocação de ser presença transformadora no mundo e a desenvolverem aquilo que chamou de “a arte de ver”.
“O Bom Samaritano não teve medo de abrir os olhos e enxergar o outro em sua vulnerabilidade. A pergunta para nós é: quem estamos vendo hoje? Quem é o irmão ou irmã caído à beira do caminho nas realidades onde atuamos?”, questionou.
A secretária-executiva da CBJP também destacou que a missão dos cristãos leigos e leigas exige olhar atento para os pobres, para as mulheres vítimas de violência, para os povos tradicionais, para a população em situação de rua e para todos aqueles que vivem à margem da sociedade.
Segundo ela, uma Igreja verdadeiramente missionária e profética precisa ser marcada pela escuta, pelo diálogo e pela presença concreta junto aos que mais sofrem. “Uma Igreja que quer ser profética e missionária é uma Igreja samaritana, acolhedora, da escuta, do diálogo e da presença”, afirmou.
Os participantes foram divididos em grupos para responder a duas questões centrais: de que forma a Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja podem ajudar o laicato a viver sua missão profética na defesa da vida e quais propostas podem fortalecer essa atuação nos diversos espaços da sociedade. A dinâmica permitiu momentos de oração, silêncio, partilha e construção coletiva de consensos, em sintonia com a experiência sinodal vivida pela Igreja nos últimos anos.
A oficina integrou a programação formativa da Assembleia e reforçou o compromisso do CNLB com uma Igreja sinodal, participativa e comprometida com a transformação da realidade à luz do Evangelho.