Justo abaixo das lagoas de Nélida jaz um rico depósito de ouro, o que faz com que os camponeses, que temem ficar sem água, enfrentem a maior mineradora de ouro da América do Sul.” O que acaba de ler é a sinopse do documentário, produzido pela Associação Guarango.
O documentário “Hija de la laguna” (A filha da lagoa, em português) trata de uma mulher dos Andes com um dom especial, que usa para defender de uma abusiva empresa aquilo que considera sagrado. “Nélida, uma mulher dos Andes, que fala com os espíritos da água, emprega suas faculdades para enfrentar uma mineradora que ameaça destruir a lagoa que ela considera sua mãe.
Por Rafael Ponte
Adital
1. Narração simples, agradável e séria
Quem conhece Cajamarca conhece também a beleza de suas paisagens. Estas são retratadas através do trabalho fotográfico do documentário, que juntamente com a narração terminam sendo agradáveis à vista e ao ouvido. Graças ao trabalho de pesquisa, estes elementos nos aproximam do panorama do conflito social, que se mantém latente em torno das lagoas que serão afetadas pelo megaprojeto mineiro Conga, da permanentemente questionada empresa Yanacocha.
2. Resgatando personagens e cosmovisões
Não apenas se apresenta Nélida como a única filha da lagoa, mas também os encarregados, camponeses e lutadores sociais, que defendem seus direitos ante as ameaças extrativistas. A diversidade de rostos, testemunhos e relatos revelam também a complexa e rica cosmovisão cajamarquina sobre a Mãe Terra, em especial sobre a água ou Mama Yaku.
O documentário é uma estampa do amplo folclore mágico que as comunidades campesinas herdaram e que mantêm vivo através de seus relatos e tradições. Um retrato da relação harmoniosa entre os homens e as mulheres, e suas terras.
3. Qualidade garantida
A Associação Guarango tem em seu currículo um total de cinco longa-metragens documentais. Suas produções são parte de festivais nacionais e internacionais. A experiência é reconhecida também por casas audiovisuais, como a BBC, e organizações, como a Oxfam e WWF.
O diretor do documentário é Ernesto “Tito” Cabellos, que produziu e dirigiu os documentários “Choropampa” (2002) e “Tambogrande” (2007), em colaboração com a diretora Stephanie Boyd. Em 2009, realizou o longa-metragem “De ollas y sueños” [De panelas e sonhos]. Suas obras foram reconhecidas por cerca de 40 distinções e prêmios.
Por outro lado, a produtora Núria Frigola participou da realização dos documentários televisivos “Amazonía nuestra” [Amazônia nossa] e “Purús-Manu: latidos de la selva” [Purús-Manu: latidos da selva].
4. Reconhecimento nacional e internacional
O filme tem sido reconhecido internacionalmente por personagens como Ricardo Darín e Noam Chomsky.
Também foi incorporado como parte da seleção oficial de documentários do Festival Hot Docs, realizado no Canadá, em abril deste ano, sendo eleito como um dos favoritos do público.
Atualmente, o trailer do documentário é o mais visto na história do cinema peruano, com um pouco mais de 3,5 milhões de reproduções. A expectativa é altíssima.
5. A cultura do cinema documental peruano
Nos últimos anos de produção nacional cinematográfica, as salas de cinema começaram a reproduzir com maior frequência filmes peruanos como parte de sua programação.
Não obstante, é predominante ainda a difusão de filmes comerciais, o que gera que o fomento do cinema documental só pode ser apreciado em âmbitos menos amplos.
A expectativa por “Hija de la laguna” revela um público que também consome cinema. Este fenômeno representa uma oportunidade para diversificar os conteúdos que fazem parte da oferta cinematográfica e ampliar o acesso a produções locais de diferentes formatos.
Assista ao trailer em espanhol