E de repente, tudo parou…

De uma hora para a outra, os 4 primeiros meses de 2020 trouxeram várias reflexões para a nossa humanidade. As velhas fronteiras territoriais, sejam elas internacionais ou mesmo nacionais, e locais foram quebradas e hoje se tornam dispensáveis.

Por Luis Henrique Ferfoglia

Os muros e as cercas construídas em várias partes do mundo, como forma de restringir acesso de seres indesejáveis deixaram de ser intransponíveis. De repente, a tal Globalização deixou de ser necessária e nos impôs uma parada forçada. Entretanto essa parada acabou ofertando algo quase extinto em nossa rotina louca de vida: a oportunidade de haver tempo para que eu pudesse refletir sozinho, de me reunir em família novamente com os meus e parar de dar importância ao controle do tempo. Domingos ou segundas passaram a ser dias comuns.

Essa transposição das barreiras mencionadas acima veio por meio de um agente infeccioso microscópico ao qual chamamos de vírus e que sob o olhar da biologia, aplica-se a ele a capacidade de se desenvolver através de várias mutações e de se auto reproduzir, além do poder de infectar organismos vivos. Falando do vírus mais famoso da atualidade, “COVID-19”, até o momento não é possível combatê-lo, apenas preveni-lo através de medidas de higiene pessoal e isolamento social. Um dado concreto é que, ao o analisarmos sua forma de contágio, o vírus não faz distinção de raça, gênero, faixa etária, critério econômico ou social, já que atinge todas as formas dessas categorias descritas. A diferenciação vai ser observada apenas ao constatar que há uma clara discrepância quanto ao acesso as diversas formas de tratamento ofertadas para  enfrentar o mesmo problema. Infelizmente a desigualdade social aqui também se faz presente.  

Sem percebermos e talvez pagando um alto preço por isso, enfim entendemos as duras penas que há uma grande diferença entre o que é necessário  e o que de fato é essencial e indispensável em nossas vidas. De repente, passamos a nos dar conta de que um profissional da área da saúde, como uma enfermeira, um médico, um pesquisador científico ou mesmo um profissional da cadeia produtiva de elementos vitais para a nossa existência, passaram a ser muito mais importantes do que os ricos jogadores de futebol, por exemplo. Uma vacina ou a descoberta de um novo medicamento passou a ser mais indispensável e urgente do que o investimento na fabricação de um míssil. O medo de sermos eliminados por uma 3º Guerra Mundial, deu lugar a preocupação com uma outra forma de eliminação da humanidade, advinda de pequenas gotículas silenciosas e quase imperceptíveis que curiosamente afetam apenas os seres humanos. As demais espécies não sofrem riscos de serem eliminadas e afetadas por esse vírus. Não há notícias de animais de qualquer tipo ou outra forma de vida sendo ameaçadas pelo vírus que estão hoje abundantes em nosso meio. Nunca foi tão importante e indispensável como hoje a necessidade, o desejo e o cuidado para comigo mesmo e para com o outro com o qual me relaciono ou me encontro ocasionalmente. Essa é agora a nossa certeza de segurança, o nosso remédio. Preciso estar bem, de corpo e mente sã, porém, devo muito mais agora torcer e desejar que o meu próximo também esteja e com isso, num espírito autêntico de solidariedade e altruísmo, vencermos juntos essa grande batalha pela vida.