Empresta-me teu olhar, Senhor, para olhar o mundo e a história como tu o fazes:
Não a partir de uma luta sem trégua de interesses,
mas a partir da construção harmoniosa da convivência fraterna;
Não a partir de um tribunal que aponta o dedo, acusa e condena,
mas a partir do amor e da bondade, da misericórdia e do perdão;
Não a partir do “homem velho” centrado em si mesmo,
mas a partir do “homem novo” que tem o Reino como horizonte;
Não a partir da gaiola fechada de impulsos, instintos e desejos,
mas a partir de uma vida relacional e de comunhão;
Não a partir da atitude de disputa, concorrência e competição,
nas a partir da busca do bem comum para a vida em sociedade;
Não a partir de um consumo desenfreado, irresponsável e descartável, mas a partir da defesa da vida em todas as suas formas, a biodiversidade;
Não a partir de uma indiferença cega, surda e muda aos clamores do “outro”, mas a partir do compromisso e da solidariedade pela justiça e pela paz;
Não a partir do trono do ter, do poder e do saber, mas a partir da disponibilidade permanente de participar e aprender;
Não a partir da miopia que distorce os fatos em favor pessoal, familiar ou corporativista, mas a partir da realidade nua e crua, espelho vivo que faz refletir e mudar;
Não a partir da lei que tende a dividir o mundo em “gente de bem” e criminosos, mas a partir da vida e da história de cada pessoa real e concreta;
Não a partir do dogma e da doutrina que separam bons e maus, santos e pecadores, mas a partir da acolhida e da abertura aos valores de cada pessoa e cultura;
Não a partir de um “modelo” hipócrita e hipotético, com roupagem religiosa, mas a partir da fé que humildemente se abre para acolher o dom do Espírito.
Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
Roma, 16 de março de 2016