Desde o dia 02 de dezembro, primeiro Domingo do Advento, estamos vivendo um novo Ano Litúrgico, ou seja, um ano em que celebramos e atualizamos o Mistério de Cristo em nossa vida e na História. “Liturgia é celebrar Cristo em nossa vida e a nossa vida em Cristo” (CNBB 43).
Por: Laudelino Augusto
O Ano Novo Litúrgico se inicia com o Advento, nossa preparação para a Solenidade do Nascimento de Jesus, o Natal. Através de símbolos, cantos, gestos, cores e, principalmente, através da Palavra de Deus vivida e celebrada, da Eucaristia partilhada e de ações concretas de vida e compromisso, somos chamados a “preparar os caminhos do Senhor”, a buscar uma autêntica conversão para acolher a Cristo.
Lamentavelmente, para muitas pessoas, o Natal, como outras Solenidades e Festas cristãs, foi cooptado pela sociedade de consumo e deixou de ser vivido e celebrado como “uma Boa Nova para os pobres” (cf. Lc 2, 10). A sociedade consumista neo-liberal, apesar da chamada “crise”, já está a todo vapor: “O seu natal em 10 vezes sem juros”; “natal de verdade é na Loja X”; e assim por diante como se o Natal fosse mercadoria.
Neste sentido, propomos o resgate do autêntico sentido desta Solenidade Cristã. Não podemos deixar o Natal de Jesus reduzido a comércio, presentes, Papai Noel, ceias, cartões, ainda que tudo isto possa ter o seu sentido e lugar. A questão é que a Pessoa e o Projeto de Jesus não podem ficar em segundo plano.
No primeiro Domingo do Advento, fomos advertidos sobre a vinda definitiva de Cristo para a qual devemos nos preparar: “Cuidado para que vossos corações não fiquem pesados pela devassidão, a embriaguez, as preocupações da vida, …” (Lc 21, 34). No segundo, João Batista, o precursor, nos convida à conversão e insiste: “Produzi frutos que provem a vossa conversão …” (Lc 3, 8). A conversão não é algo subjetivo, exige mudança de comportamento, ações concretas. Conversão do coração e das estruturas, pois como ensinou São Paulo VI, “O pecado nasce do coração humano e se cristaliza nas estruturas que por sua vez pervertem corações”(EN).
Na sequência, respondendo às multidões que perguntavam: “O que devemos fazer?” (Lc 3, 10), João Batista responde considerando cada categoria de pessoas que interrogam: povo em geral, cobradores de impostos e os soldados. (Cf. Lc 3, 10-14). E nós, hoje, no contexto em que vivemos, “O que devemos fazer?”
Estejamos dispostos à conversão, ao perdão, à misericórdia que acolhe, liberta, reconstrói e dá sentido à vida. Dispostos a partilhar, lutar pela justiça, pelo estabelecimento da igualdade social, da vida em abundância para todos. Aproveitemos para um “banho de misericórdia e conversão”, para acolher e ser missionário da misericórdia, do bem viver a caminho do Reino de Deus!
Nestas perspectivas, podemos desejar a todos um feliz Ano Novo Litúrgico, um santo e fecundo Advento, um tempo de conversão e de graça, uma autêntica preparação para o verdadeiro e único Natal, de ontem, de hoje e de sempre.