O ano passado não foi nada animador para quem está buscando um emprego. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o país fechou 2015 com o desemprego em 8,4%, superando os anos anteriores: 2014 (6,9%), 2013 (7,4%) e 2012 (7,5%).
Por André Vieira (Brasil de Fato)
Foto: EBC
No Rio de Janeiro, o fim das obras dos Jogos Olímpicos preocupa os representantes dos trabalhadores, que estimam em 35 mil o número de contratos que terminarão na construção civil. Eles cobram dos governos federal, estadual e municipal ações para criar novas demandas no setor.
O
presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada, Nilson Duarte, lembra que é característico da profissão a alta rotatividade, mas que o poder público deve tomar algumas medidas. “Estamos cobrando do governo federal para que abra novas frentes de obras. Segundo o sindicalista, isso pode ser feito, por exemplo, através da realização de obras como a expansão do metrô.
Ele completou que em 2015 foram 8.700 trabalhadores que tiveram os contratos encerrados em obras olímpicas. A estimativa do sindicato é que até julho deste ano outros 20 mil contratos sejam encerrados. Somando esses números aos trabalhadores que constroem outros empreendimentos para os Jogos Olímpicos, como a vila que abrigará os atletas, onde os contratos também se encerrarão com o fim das obras, cerca de 35 mil trabalhadores da construção civil ficarão desempregados no total.
Mais que pressão
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirma que vai pressionar os governos para que sejam criados programas emergenciais para absorver os desempregados. Para o presidente da CUT Rio, Marcelo Rodrigues, é preciso mais que pressão. “Defendemos que sejam criados incentivos à construção civil, setor que está sendo duramente atingido. Mais do que nunca, é hora de baixar taxas de juros e retornar o crescimento econômico do país. Só assim será possível evitar que o já grave problema do desemprego em nosso estado se torne um caos social”.

Outros fatores
Para a técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Jéssica Naime, outros fatores também devem ser considerados ao analisar o desemprego no setor. “Não podemos esquecer os impactos da Operação Lava Jato no setor da construção civil”, afirma sobre a operação que investiga a corrupção envolvendo empreiteiras, a Petrobrás e partidos políticos. Ela acrescenta ainda que a queda nos valores do barril do petróleo no mundo também influencia na taxa de desocupação, inclusive na construção civil.
Ações dos governos
Questionada pelo Brasil de Fato, a Prefeitura do Rio, responsável por 17 obras olímpicas que empregam aproximadamente 17 mil trabalhadores, informou que está fazendo um planejamento para absorver esses trabalhadores através do programa “Em Frente Rio”, em parceria com o setor privado. “É um programa composto por 10 projetos de mobilidade, logística, infraestrutura e saneamento, que renderiam cerca de 38 mil oportunidades de emprego”, promete Augusto Ribeiro, secretário municipal de Trabalho e Emprego.
O governo federal também afirmou que está engajado. “Estamos empenhados para chegar ao final de 2016 melhor que em 2015, preservando direitos dos trabalhadores e empregos”, declara Robson Leite, superintendente regional do Trabalho e Emprego no Rio, órgão vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).