O dom da comunicação é que o faz aparecer …

Existem pessoas que são predestinadas a exercer um especial fascínio sobre a humanidade durante a sua passagem pela vida. Até a sua escolha para ser o Papa da Igreja Católica, pouco tinha ouvido falar do argentino Cardeal George Bergóglio. Porém, a partir do momento de sua eleição, já na sua primeira aparição, a sua figura, o seu modo de falar, o seu sorriso, as suas palavras e, especialmente a sua humildade, me fascinaram.

O dom da comunicação é que o faz aparecer … mas suas atitudes e palavras garantem a solidez de sua humildade.

Por Antonio Oswaldo Storel

E daí para frente, foram atitudes, frases, ensinamentos, que só engrandecem a Igreja Católica, reaproximando-a dos parâmetros deixados por Jesus Cristo. Nestes últimos dias, a sua figura esteve ainda mais em evidência na mídia internacional, desde que se propôs a visitar o povo cubano e, depois os americanos dos Estados Unidos, para ir consolidando aos poucos o reatamento do relacionamento entre eles, de cujo “start” foi protagonista algum tempo atrás. Então as suas palavras ecoam por todos os cantos do mundo e sua missão de apaziguar a humanidade em nome de Deus que o escolheu e o enviou, vai sendo construída. É claro que nesse resplandecer de sua figura, aparecem os críticos, aqueles que ainda não se dispuseram a assumir uma nova era da Igreja, voltada para a retomada do Vaticano II e mais próxima dos ensinamentos do seu fundador.

Causou-me estranheza um comentário que li a respeito dessa situação, considerando que o Papa tornou-se “estrela”, fugindo ao conceito “servo dos servos de Deus”, atribuído aos Papas. Na verdade, é preciso aprofundar um pouco mais essa reflexão no sentido de que a missão da Igreja é levar ao mundo os valores do Evangelho para construir a paz, a solidariedade, a justiça, a fraternidade entre os povos e no meio de cada um deles. E o Papa é aquele inspirado pelo Espírito de Deus para desenvolver essa missão, principalmente utilizando os dons que recebeu na prática de suas atitudes e na área da comunicação. E não resta dúvida de que é isso que o Papa Francisco vem fazendo. Com suas atitudes e suas falas, mantem os olhos e os ouvidos do mundo voltados para sua figura e o conteúdo de sua mensagem mereceria, não apenas que fosse “estrela”, mas que se tornasse o próprio sol a iluminar o coração de todos os homens e mulheres do mundo para curar a humanidade de tantas iniquidades. O dom da comunicação é que o faz aparecer, mas suas atitudes e palavras garantem a solidez de sua humildade.

Lembro-me de um relato do que aconteceu com Dom Helder e Madre Tereza de Calcutá, num estádio superlotado de Roma, onde acontecia um evento da Igreja. Ao terem seus nomes chamados para se dirigirem ao palco das autoridades, no trajeto, foram ovacionados em pé pelo público presente. Madre Tereza manifestou sua preocupação a Dom Helder dizendo:  ”Nós não merecemos isso!” Ao que Dom Helder lhe respondeu: “Não se preocupe Madre, nós somos apenas o jumentinho, não é a nós que estão aplaudindo!”

Lendo artigo recente de Leonardo Boff sobre o Papa Francisco, fiquei impressionado quando ele o compara com o Francisco de Assis de quem escolheu o nome. Para construir a paz há que se abdicar radicalmente da violência, por mais leve que ela seja. Mal comparando com aquilo que se usa hoje como “redução de danos” para conseguir sair da situação de dependência das drogas: vai se mudando aos poucos e avançando na conquista do objetivo, sem processo de repressão violenta.

Ao encontrar-se com Obama, outro ser humano portador de um notável carisma, juntos se fortalecem na busca da harmonia entre os países. Ser aplaudido de pé, após seu pronunciamento no Congresso dos Estados Unidos, uma das nações mais importantes do mundo, é de um simbolismo muito grande sobre o que ele representa  para a humanidade nos dias  de  hoje. Que Deus o proteja sempre, papa Francisco!