Como acontece cada ano no mês de janeiro, por ocasião do FÓRUM ECONÔMICO DE DAVOS, na Suíça, dos poderosos do poder e do capitalismo, realiza-se o FSM neste mesmo período. E foi para fazer contraponto a este Fórum de Davos que nasceu o FSM em Porto Alegre, 2001, tornando-se berço mundial deste evento que se realiza a cada ano.
Por: Tereza Gamba
O Fórum Social Mundial é um processo político, autônomo, auto-gestionado organizado por redes de movimentos e organizações sociais da luta alter-mundialista anticapitalista. É um espaço da sociedade civil planetária, plural, radicalmente democrático, que se espalhou pelo mundo e tem como orientação geral a Carta de Princípios elaborada após a primeira edição em 2001, em Porto Alegre.
É marcadamente significativo o tema deste evento de Porto Alegre: FÓRUM SOCIAL DAS RESISTÊNCIAS, frente ao momento tão desastroso que o mundo vive, refletido em cada país, em cada sociedade como a nossa. O Fórum Social das Resistências é um processo de articulação política, social e cultural que ocorre dentro dos marcos do FSM.
O Fórum deste ano, realizado de 17 a 21 deste janeiro 2017, teve sua abertura oficial com a marcha dos povos das resistências.
Os temas deste evento foram cultura e comunicação, Resistências Urbanas, Direitos Humanos, Defesa dos serviços públicos e servidores e Tribunal dos Povos de Matriz Africana e Indígena. Entre os grandes temas, Análise de Conjuntura Internacional, poder econômico, militar e poder social no mundo como também a análise da Conjuntura da América Latina.
O debate sobre a situação política mundial teve como personagem central o francês Gustave Massiah, expoente da globalização alternativa. Ele, como representante do movimento alter-mundialismo, defendeu a Globalização alternativa sem efeito prejudicial, que age em momentos de crise do sistema capitalista mundial. Ele destacou também, as revoluções que vem ocorrendo ao redor do planeta, que muitas vezes não são visíveis, como os movimentos tecnológicos e geopolíticos. Também salientou a importância da união da esquerda política mundial e a realização do FSM na luta dos povos da resistência. O economista francês ainda destacou “Vivemos em um mundo em que algumas pessoas tem a riqueza da metade da humanidade”. Para Massiah, estamos sofrendo uma contra-revolução de direita, apoiadas principalmente no racismo e na xenofobia.
Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz, enfocou sua fala na negatividade midiática, e teceu severas críticas à influência norte-americana na América Latina.
O painel sobre a análise de conjuntura da América Latina foi um forte momento de identificação continental entre participantes e painelistas. Participaram do painel, além do Brasil, o México, Venezuela, (Edgardo Lander) Perú, (Marisa Glave) Chile, (Ximena Montoya) Uruguay, ( Lílian Celiberti). Enfocaram as revoluções inacabadas, conseqüências das ditaduras, existências de setores sociais com idéias autoritárias, como também profundas crises políticas, econômicas e éticas como é o caso da Venezuela. Salientaram ainda a necessidade de reinventar a esquerda e assumir os desafios das lutas de resistência unidos num compromisso comum, sendo muito aplaudidos. Chamou atenção a fala da parlamentar e líder da frente ampla da esquerda peruana que falou diretamente aos corações das resistências na América Latina, Lilian Celiberte, do Uruguay, militante de tantos anos, ressaltou que não há justiça social sem cidadania. Liegbott, representante da causa indígena, disse: “ temos que fazer uma auto crítica e entender porque os índios permanecem nas margens das rodovias.
Pelo Brasil, falou Olívio Dutra culminando o grande momento da resistência dos povos da América Latina. Olívio tocou numa ferida importante, as perdas para a população pobre, de uma política genocida permanente, as vezes escancarada, outras vezes disfarçadas e distantes de nós, do povo que luta pela justiça, pela liberdade, pelos seus direitos – Referindo-se ao Brasil, disse que não vai ser fácil recuperar o que perdemos, temos muita reflexão a fazer e aprender sobre as nossas experiências históricas de luta. Finalmente disse que é na resistência que a gente cria o novo, sobre gritos e aplausos.
Mauri Cruz, um dos integrantes do Comitê do FSM, destacou as plenárias, os seminários e os mais ricos e variados temas desenvolvidos em grupos de trabalho, o sucesso e as esperanças dos povos das resistências, vindo dos vários pontos do mundo.
Participei de todos os Fóruns e digo que este, foi uma luz resultante da união das resistências conscientes dos seus desafios, a maior grandeza e esperança do ser humano. A Bíblia nos diz que resistir são brotos da primavera. A resistência não termina nunca porque está dentro de nós, afirma Silvino Rech.
