Goiânia (GO) – A 44ª Assembleia Geral do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) dedicou um momento de sua programação à apresentação de organismos vinculados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que atuam na promoção da vocação laical, da formação sociopolítica e da defesa dos direitos humanos. Participaram da mesa Célia Soares de Sousa, assessora da Comissão Episcopal para o Laicato; Jardel Neves Lopes, secretário-executivo do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP); e Sônia Gomes de Oliveira, secretária-executiva da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), organismo vinculado à CNBB.
Ao abrir as apresentações, Célia Soares de Sousa refletiu sobre o papel dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade. Segundo ela, a missão do laicato exige presença ativa nos diversos espaços da vida social, levando os valores do Evangelho para além dos ambientes eclesiais.
“Não podemos deixar de ser presença viva do Evangelho no coração do mundo. Não podemos deixar que a fé se reduza aos espaços internos da Igreja, enquanto a realidade clama por testemunhos de esperança, justiça e fraternidade”, afirmou.
A assessora apresentou ainda a atuação da Comissão Episcopal para o Laicato, uma das doze comissões da CNBB, responsável por acompanhar e promover a identidade, a vocação, a espiritualidade, a formação e a missão dos cristãos leigos e leigas no Brasil. O trabalho envolve o acompanhamento dos movimentos e associações laicais, das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e de iniciativas voltadas à formação e à articulação do laicato.
Célia também destacou a parceria histórica entre a Comissão Episcopal para o Laicato e o CNLB, ressaltando a importância do organismo como presença articuladora nas dioceses e regionais. Segundo ela, fortalecer a consciência da vocação laical e ampliar a participação dos cristãos leigos e leigas nos processos eclesiais e sociais é uma das prioridades da comissão.
Na sequência, Jardel Neves Lopes apresentou o trabalho desenvolvido pelo Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP), organismo ligado à Comissão Episcopal para o Laicato e dedicado à formação sociopolítica de lideranças em todo o país.
Entre as iniciativas destacadas estão o Curso Nacional de Formação de Fé e Política, realizado em parceria com a PUC-Rio, a articulação das escolas de fé e política espalhadas pelo Brasil e a rede de assessores e assessoras que contribuem para a reflexão sobre o pensamento social cristão e sua incidência na vida pública.
Jardel também apresentou o subsídio “Eleições, Democracia, Sinodalidade e Bem Comum”, elaborado para auxiliar grupos, comunidades e lideranças a refletirem sobre a participação política à luz da Doutrina Social da Igreja. O material reúne nove encontros e uma celebração, articulando oração, reflexão, análise da realidade e compromisso social.
Segundo ele, a proposta busca contribuir para o fortalecimento da democracia e para a construção de uma cultura do diálogo em um contexto marcado pela polarização política.
“Precisamos defender e fortalecer a democracia. Também precisamos aprender a dialogar e a escutar. A inspiração da sinodalidade pode ajudar a construir processos políticos mais participativos e comprometidos com o bem comum”, destacou.
Encerrando a mesa, Sônia Gomes de Oliveira apresentou a missão e os desafios da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), organismo criado pela CNBB e dedicado à promoção dos direitos humanos, da justiça social e da cultura da paz.
Primeira mulher a assumir a secretaria-executiva da comissão, Sônia compartilhou sua experiência à frente da entidade e destacou o esforço de fortalecer sua atuação em rede, ampliar sua presença nas dioceses e aproximar a comissão dos diferentes sujeitos eclesiais e sociais.
“A Comissão Brasileira de Justiça e Paz tem a missão de contribuir para o desenvolvimento integral da pessoa humana à luz da ética social cristã, empenhando-se pela prática da justiça e pela construção da paz”, afirmou.
Ela relatou ainda o trabalho desenvolvido pela comissão junto a lideranças ameaçadas em diferentes regiões do país, especialmente na Amazônia e em territórios marcados por conflitos sociais e ambientais. Segundo Sônia, muitas dessas ações acontecem de forma discreta, mas representam um importante serviço de proteção e solidariedade.
Outro destaque de sua fala foi a necessidade de recuperar o sentido transformador da política como instrumento de participação cidadã e promoção do bem comum.
“Um grande desafio que temos é sensibilizar as pessoas a recuperar esse encantamento com a política. A política não é ruim. Ela é fundamental quando vivida em sua essência, como serviço à vida, à justiça e à dignidade humana”, afirmou.
Ao final, Sônia convidou os cristãos leigos e leigas presentes a fortalecerem a presença da CBJP nas dioceses e comunidades, ampliando o conhecimento sobre sua missão e contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e pacífica.
A mesa evidenciou a diversidade de iniciativas desenvolvidas pelos organismos da CNBB em parceria com o CNLB e reafirmou a importância da formação, da participação política, da defesa dos direitos humanos e do protagonismo dos cristãos leigos e leigas na missão evangelizadora da Igreja e na transformação da sociedade.