A Comunidade Cristã celebra, nesta Semana, com intensidade litúrgica, o Mistério Pascal de Cristo : Vida, Paixão, Morte e Ressurreição. Não se trata de simplesmente relembrar fatos do passado, mas de celebrar e assumir suas consequências em nossa História. “Celebrar o Mistério de Cristo é celebrar Cristo em nossa vida e a nossa vida em Cristo”.(CNBB 43, n. 205).
Por: Laudelino Augusto de Azevedo
“A Comunidade, reunida no Espírito Santo, faz a leitura simultânea da Bíblia e da História, em clima orante, e assim consegue discernir nos acontecimentos os sinais da vida e da morte, do Reino e do anti-Reino. Deste modo, na Liturgia a Comunidade desvenda, revela, profetiza, anuncia e denuncia, adora, louva e agradece, pede perdão, implora e intercede, partilha e comunga. Liturgia Cristã e História são inseparáveis. A Celebração Litúrgica não está fora do contexto social, econômico, político e cultural. Celebramos a presença e a ação libertadora de Deus na realidade histórica, pois a relação do povo com Deus não se dá fora da história, mas no coração dela, dentro dos acontecimentos. O Povo de Deus convocado para o Culto é o mesmo povo que trabalha, faz festa, sofre, espera e luta na História.(…) Não é possível celebrar um ato litúrgico alheio ao contexto da vida real do povo, em sua dimensão pascal”.(CNBB 43, n. 55).
Nestes dias, os cristãos se reúnem e grandes aglomerações acontecem, especialmente no Tríduo Pascal: Quinta, Sexta e Sábado, em que celebramos o Mandamento do Amor e do Serviço e a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio; a Paixão e Morte de Cristo; e a Vigília Pascal que culmina na madrugada da Ressurreição do Senhor. Neste ano, seguindo as orientações de nossos bispos, devido à necessidade de manter o isolamento social, não serão realizadas as cerimônias e procissões com a presença do povo. Sempre houve pessoas que, isoladamente ou em grupos, ficam impedidas de participar fisicamente presentes, devido a uma doença, à distâncias geográficas, por não contarem com a presença de ministros ordenados ou, ainda, por situações de guerras etc. Estas, participam de maneira espiritual, através da ‘comunhão dos santos’. Assim, por razões óbvias, por respeito e defesa da vida, solidariamente, todos vamos viver e celebrar o Mistério central de nossa fé através da ‘comunhão dos santos’.
Portanto, como celebrar a Semana Santa, para que não se reduza à lembrança de fatos do passado? Sofremos, hoje, no mundo a pandemia do ‘coronavírus’ e, além desta tragédia, no Brasil e em outros países, sofremos pela imensa desigualdade social, massacres, crimes e tragédias ambientais, guerras do tráfico, do trânsito, da corrupção, a violência da miséria e da fome em várias partes do mundo. Vivemos, também, graças a Deus, a resposta amorosa de muitas pessoas, a esperança dos que se levantam para combater o vírus e suas nefastas consequências, de Igrejas e organizações que se manifestam e organizam ações solidárias, com gestos pequenos ou grandes que justificam e dão sentido à existência.
Somos todos convocados para a vivência e o testemunho do Mistério Pascal de Cristo. A Paixão de Cristo é a Paixão do povo, a Paixão do povo é a Paixão de Cristo e sua vitória é a vitória do Projeto da Vida : “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”.(Jo 10, 10). Porém, é imperioso lembrar, quem não estiver assumindo o compromisso de transformação do mundo e não estiver acolhendo, partilhando, testemunhando a justiça e a fraternidade, não terá como celebrar a Páscoa do Senhor.
Desejamos que você, sua família e comunidade, mantendo o distanciamento social, participem ativa e conscientemente, na ‘comunhão dos santos’, das Celebrações da Semana Santa, cresçam na fé e, consequentemente, no compromisso com a salvação da Humanidade. Que todos e todas participem da fecundidade libertadora da Páscoa de Cristo que é sempre feliz para os que assumem o Projeto de Vida em abundância para todos.