“Missão é o que somos, não apenas o que fazemos”, afirma irmã Regina da Costa Pedro, das POM, no Encontro Nacional do Laicato
Na manhã desta sexta-feira (20), durante a programação do 8º Encontro Nacional do Laicato, em Aparecida (SP), a irmã Regina da Costa Pedro, diretora nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM) no Brasil, fez uma reflexão sobre a missão da Igreja à luz da sinodalidade. Em sua fala, destacou que a missão não é apenas uma atividade ou dimensão da Igreja, mas parte essencial de sua identidade: “Missão é aquilo que somos, não apenas o que fazemos”.
Em comunhão com o espírito do Sínodo convocado pelo Papa Francisco e com o Jubileu de 50 anos do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), irmã Regina reforçou que todos os batizados são corresponsáveis pela missão evangelizadora da Igreja. “Não é possível falar em Igreja sem falar em missão. A Igreja existe para evangelizar, porque Deus é missão”, disse, recordando o documento Ad Gentes e a centralidade da Trindade como fonte e modelo da missão cristã.
A religiosa propôs três grandes eixos que devem nortear a ação missionária do laicato: horizontes, fronteiras e periferias. Para ela, a missão exige abertura a novos contextos sociais e culturais, disposição para cruzar fronteiras que separam grupos sociais e sensibilidade para estar próximo das realidades invisibilizadas. “O local não é onde a missão termina, mas onde a sua universalidade deve se tornar visível”, afirmou.
Com base no documento preparatório do Encontro, irmã Regina elogiou a coerência do CNLB ao articular missão e estrutura como eixos de sua caminhada e reforçou a importância de integrar os conselhos missionários e as Pontifícias Obras como parte dessa articulação eclesial. “Não precisamos inventar o que já existe. É preciso ativar as instâncias que já estão a serviço da missão nas igrejas locais.”
Irmã Regina também chamou atenção para a urgência de nomear e enfrentar o racismo como uma das fronteiras que interpela profundamente a missão da Igreja. Denunciou a omissão frequente do tema em documentos e discursos eclesiais, mesmo diante de sua presença estruturante na realidade brasileira. “Quantas vezes falamos de desigualdades e divisões sem nomear o racismo que mata nossos jovens nas periferias?”, questionou. Para ela, assumir uma missão encarnada exige coragem para habitar essas fronteiras, construir pontes e combater, com clareza e compromisso evangélico, todas as formas de exclusão e violência racial.
A fala foi concluída com um convite à conversão missionária e sinodal. “É necessário colocar toda a nossa vida em chave de missão. O Papa Francisco nos lembra: não se trata apenas de dar testemunho, mas de ser testemunhas. Que o nosso modo de ser Igreja anuncie a esperança, com gentileza, diálogo e proximidade com os pobres.”
O Encontro Nacional do Laicato segue até domingo, reunindo lideranças de todo o país para refletir sobre os caminhos da presença dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade, sob o lema “Cristãos leigos e leigas, peregrinos da esperança, agindo na história a serviço do Reino”.



