No segundo dia do Encontro do Laicato, Dom Gabriele defende fraternidade como resposta cristã à dor do mundo.

No segundo dia do Encontro do Laicato, Dom Gabriele defende fraternidade como resposta cristã à dor do mundo.

Durante a missa que abriu o segundo dia do 8º Encontro Nacional do Laicato, na manhã desta sexta-feira (20), em Aparecida (SP), Dom Gabriele Marchesi, bispo referencial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), afirmou que a fraternidade é uma resposta cristã necessária diante das dores e contradições do mundo atual.

A celebração fez memória aos chamados mártires da caminhada — lideranças comunitárias, religiosas e ativistas que foram assassinadas ou morreram em contextos de violência e injustiça social, sobretudo em defesa dos direitos humanos, da terra e da dignidade das populações vulnerabilizadas.

Inspirado nas leituras do dia e nas palavras do profeta Isaías, Dom Gabrielli ressaltou que a Eucaristia deve estar conectada à vida concreta do povo. “Não celebramos uma ideia ou uma lembrança, mas o amor de Deus que se faz presença real em nossa história, especialmente nos contextos de dor e exclusão”, afirmou.

O bispo alertou para a banalização do sofrimento e defendeu a empatia como postura cristã. “Vidas interrompidas não podem ser tratadas como estatísticas. São histórias reais, com esperanças frustradas, que exigem nossa atenção e solidariedade”, disse.

Segundo ele, a missão dos cristãos leigos e leigas passa pelo compromisso com a justiça social. “Se não partilhamos o pão, se não acolhemos quem sofre, se não denunciamos as injustiças, perdemos o sentido do seguimento de Jesus”, afirmou. Gabrielli também criticou o avanço do individualismo, que, em suas palavras, “desfaz laços de fraternidade e transforma o outro em ameaça”.

O bispo destacou ainda que a fé cristã não pode ser cúmplice da opressão nem da indiferença. “Somos chamados a ser memória viva do Evangelho, com gestos concretos que anunciem o Reino de Deus. A Eucaristia nos impulsiona a caminhar ao lado dos últimos, dos invisíveis, dos que carregam no corpo as marcas da exclusão”, concluiu.

A missa marcou o início das atividades do segundo dia do Encontro, que reúne representantes do laicato de todas as regiões do Brasil para celebrar os 50 anos do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), refletir sobre os desafios do presente e fortalecer o compromisso com uma Igreja siodal, participativa e comprometida com a realidade do povo.