Pastorais e entidades da Igreja compartilham experiências de ação social em defesa da vida e da dignidade

Pastorais e entidades da Igreja compartilham experiências de ação social em defesa da vida e da dignidade
Projetos de enfrentamento à violência contra mulheres jovens, iniciativas de combate à fome e ações pela escuta e reparação de vítimas de abuso. Essas foram algumas das experiências apresentadas por representantes de pastorais e entidades da Igreja durante uma mesa do 8º Encontro Nacional do Laicato, em Aparecida (SP), dedicada à partilha de práticas sociais em defesa das populações vulnerabilizadas.

Representando a Pastoral da Juventude, Adriano Fernandes (CNPJ Norte 3) e Aldiceia Costa (ex-CNPJ Leste 3) destacaram a campanha Em defesa da vida das companheiras, que combate a violência contra mulheres a partir das vivências das jovens nas comunidades. A iniciativa promove espaços de formação, escuta e mobilização, reafirmando o compromisso da PJ com uma espiritualidade libertadora e uma Igreja que se posiciona contra o machismo e a cultura da violência. Para Adriano, falar da vida das companheiras é também reconhecer a urgência de uma espiritualidade que confronte todas as formas de opressão.

Maria das Graças Gervazio (Coordenação da Pastoral da Criança Internacional) e Ilma Correa (Coordenadora Diocesana da Pastoral da Criança de Nova Iguaçu, RJ) apresentaram projetos de segurança alimentar voltados a crianças e mães em situação de vulnerabilidade social. Elas compartilharam práticas de educação alimentar com foco no aproveitamento integral dos alimentos e na redução do consumo de produtos ultraprocessados, apontando caminhos concretos para uma alimentação mais saudável, acessível e consciente. A experiência reafirma a missão da Pastoral de cuidar da vida desde o início, com ações educativas alinhadas à proposta de ecologia integral presente no magistério do Papa Francisco.

Frei João Ferreira Júnior (secretário-executivo do Núcleo Lux Mundi) trouxe uma reflexão sobre a escuta das vítimas como ponto de partida no enfrentamento dos abusos dentro da Igreja. Em sintonia com as orientações do Papa Francisco, destacou que os abusos não se restringem à esfera sexual, mas envolvem também dimensões de poder e de consciência, exigindo da Igreja uma abordagem pastoral, ética e institucional capaz de enfrentar essa realidade com profundidade e responsabilidade. Segundo ele, essas violências atravessam o tecido eclesial de formas distintas e complexas, o que demanda vigilância constante e compromisso efetivo com a reparação e a prevenção.

A mesa reforçou a importância de reconhecer e fortalecer o que já se realiza nas bases da Igreja: práticas que integram fé e compromisso social, espiritualidade e justiça, denúncia e cuidado. São experiências que revelam uma Igreja viva, sinodal e profundamente comprometida com os clamores do Evangelho e da realidade das periferias sociais e existenciais.