Sínodo da Sinodalidade: brasileiras relatam avanços na participação de mulheres e do laicato

Sínodo da Sinodalidade: brasileiras relatam avanços na participação de mulheres e do laicato
O 8º Encontro Nacional do Laicato, em Aparecida (SP), teve uma mesa dedicada às experiências brasileiras no Sínodo da Sinodalidade. No debate, Sônia Gomes de Oliveira, presidenta do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), e Maria Cristina dos Anjos, assessora de migração da Cáritas Brasileira, relataram sua participação na etapa global do processo sinodal, realizada no Vaticano após convocação do Papa Francisco.

Em sua fala, Sônia destacou a importância espiritual do processo sinodal, especialmente os momentos de retiro e oração que antecederam os debates. “O retiro nos fazia pisar o chão da realidade e vencer a tentação de ver a Igreja como poder e dominação”, afirmou. Ela ressaltou que o Sínodo foi um lugar de escuta, partilha e confronto com diferentes culturas e visões de Igreja, onde foi necessário exercitar o discernimento e a escuta do Espírito. “Mesmo com a barreira do idioma, usávamos celulares para traduzir e conseguimos nos entender. No Brasil, que fala a mesma língua, às vezes precisamos de um tradutor espiritual: o discernimento.”

Sônia também recordou que a experiência sinodal reafirmou a necessidade de uma Igreja misericordiosa e comprometida com os pobres. “Enquanto não enxergarmos os caídos do nosso tempo, os não ouvidos, não vivemos o Evangelho.” Ela contou a história de uma catadora em Montes Claros (MG) que, mesmo sem saber ler, falava de Jesus nas ruas, e hoje é uma das catequistas mais respeitadas de sua comunidade. “Essa é a Igreja que queremos: com rosto de mulher, de pobre, de periferia.”

Cristina dos Anjos, por sua vez, partilhou a sua experiência a partir de uma “memória agradecida” e da trajetória construída nas comunidades e na Cáritas. “O Sínodo foi um presente que nos transformou”, disse. Para ela, a assembleia sinodal foi um marco não apenas por seu ineditismo, mas por abrir espaço efetivo à participação de leigos e leigas, especialmente mulheres. “Não é necessário que nos deem lugar. Precisamos reconhecer os lugares que as mulheres já ocupam — e são muitos.”

Cristina comenta que temas como o papel das mulheres, a diversidade sexual e o racismo tenham perdido força no texto final do Sínodo, apesar de terem surgido com força nas escutas. Ainda assim, celebrou avanços, como a reafirmação da opção preferencial pelos pobres, a valorização das Comunidades Eclesiais de Base e a importância do laicato. “O Sínodo nos reafirmou como sujeitos eclesiais. Não podemos abrir mão do nosso papel na Igreja.”

Ambas as participantes reconheceram as tensões e resistências no processo sinodal, mas reforçaram a esperança em uma Igreja mais aberta, plural e comprometida com os sinais dos tempos. Cristina lembrou uma frase do Papa Francisco: “Não verei o fim deste processo, mas confio que o Senhor nos guiará rumo a uma Igreja mais sinodal, que adore a Deus e sirva as mulheres e os homens do nosso tempo.”

A mesa reforçou que o desafio agora é a implementação concreta do que foi vivido no Sínodo, a começar pela valorização das comunidades, da escuta e da presença transformadora do laicato nas periferias, como fermento no meio da massa.